sábado, 7 de fevereiro de 2009

A relatividade do Amor Fugaz

- Existem homens que nos servem, como o Cônsul em Trollesund. E existem homens que tomamos como amantes ou maridos. Você é muito novinha, Lyra, jovem demais para entender, mas vou lhe dizer assim mesmo e mais tarde você vai compreender: os homens passam diante de nossos olhos como borboletas, criaturas que só duram uma estação. Nós os amamos; eles são corajosos, orgulhosos, belos e inteligentes; e morrem quase de repente. Eles morrem tão depressa que nosso coração fica constantemente cheio de dor. Damos à luz os filhos deles, que serão feiticeiras se forem mulheres, e humanos, se forem homens; e então, num piscar de olhos, eles já partiram, caíram, morreram, se perderam. Nossos filhos também. Quando um menino está crescendo, ele acha que é imortal. A mãe dele sabe que ele não é. Cada vez fica mais doloroso, até que finalmente a gente fica com o coração partido. Talvez seja esse o momento que Yambe-Akka vem nos buscar. Ela é mais antiga que a tundra. Talvez para ela a vida de uma feiticeira seja tão curta quanto a dos homens é para nós.

Conversa entre Serafina Pekkala e Lyra, em A Bússola de Ouro (PULLMAN, Philip. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007, p. 289)

Nenhum comentário: